Artigo exclusivo escrito por:

Dra. Maria Oneide

CRM: 90.693

A importância da ultrassonografia de alta definição nos procedimentos estéticos

No dia 31 de janeiro de 2020 participei do primeiro curso de ultrassonografia dermatológica realizada pela Cetrus (Instituto de Ensino Superior para Médicos) em São Paulo no qual um grupo de médicos radiologistas, dermatologistas entre outras especialidades tiveram a oportunidade de ver na prática a aplicação do ultrassom tanto na dermatologia clínica quanto estética.

Como aplicações práticas deste uso temos:

• Rastreamento de implantes dérmicos. Entre eles PMMA, óleo de silicone, hidrogel, hidroxiapatita de cálcio, ácido hialurônico e prótese de silicone. Como exemplo tenho paciente com implante de silicone em mento negado descoberto com o auxílio deste exame, o qual realizo no consultório. Em outro caso, paciente que interroga menor duração de preenchedor e os visualizamos mesmo após da data descrita em bula.

• Mapeamento da circulação arterial e venosa para diferenciar através do Doppler pulsado tratar-se artéria ou veia, a fim de identificar variações anatômicas e áreas de risco.

• Identificar nódulos, cistos, abscessos, linfonodos reacionais e demais patologias prévias ao procedimento. Evitando assim infecção inadvertida de produtos estéticos em patologias que deveriam ser investigadas.

• Realizar hialuronidase e corticoide intralesional eco guiadas.

• Avaliar as principais artérias e hematomas após acidente vascular. Porém não conseguimos de forma prática aplicar a avaliação para a circulação terminal e, portanto, analisar o sítio diretamente envolvido na patogênese da isquemia: o leito capilar.

Na prática diária para aplicação de ácido hialurônico ou bioestimuladores seriam necessários dois profissionais para realizar o procedimento eco guiado, inviabilizando o uso e elevando o custo. O cenário ideal, na minha opinião, seria o uso de cânulas de alto calibre em 100% dos procedimentos.

Na tentativa de nos protegermos de todas as possibilidades de omissão do paciente, processos cancerígenos, inflamatórios, a ultrassonografia deveria ser mandatória e fazer parte da avaliação prévia do paciente já que a palpação nos impede de enxergar além.