Artigo exclusivo escrito por:

Dra. Maria Oneide

CRM: 90.693

A diferença estrutural e biomecânica de tecido subcutâneo entre homens e mulheres e as implicações na fisiopatologia da Celulite de acordo com o encatador Professor e PHD Sebastian Cotofana

No último evento realizado em Salvador em dezembro de 2019 para speakers Galderma tive a honra de assistir a aula do Professor Sebastian Cotofana ( Médico em cirurgia do trauma e PHD em ciências médicas e anatomia, professor de anatomia no Departamento de Educação Médica da Albany Medical College. Obteve seu doutorado na Universidade Paracelsus de Medicina em Salzburgo, Áustria, onde também dirigiu os cursos de cirurgia como Senior Post Doc. Obteve seu MD na Universidade de LUdwing – Maximilian de Munique).

 

Neste evento foi apresentado seu trabalho sobre as diferenças de gênero na arquitetura subcutânea glútea e biomecânica a fim de entender melhor a fisiopatologia subjacente à aparência de celulite semelhante à um colchão.Neste estudo participaram 10 doadores do sexo masculino e 10 do sexo feminino, com idade média de 36-92 anos, índice de massa corpórea (IMC) de 16,69 a 40,76 kilograma/metro, foram retirados fatias glúteas longitudinais e transversais. Analisadas as camadas superficiais e profundas de gordura.

Investigados altura, número e largura dos lóbulos gordurosos e a força necessária para causar ruptura do septo entre a derme e a fáscia superficial usando testes biomecânicos. De acordo com os achados há diferenças específicas na arquitetura do tecido subcutâneo glúteo (entre homens e mulheres) e nas propriedades biomecânicas.

Nos homens:

- Há maior estabilidade biomecânica.

- Maior número de lóbulos de gordura subcutânea.

- Maior número de bandas fibrosas (conexões fibrosas entre a fáscia superficial e derme) em comparação às mulheres.

- É necessário maior força para atrapalhar estas conexões.- Melhor aparência da pele (menor aspecto de colchão).

Nas mulheres:

- Há conexões não tão fortes entre a fáscia superficial e a derme quando comparada a dos homens.

- Desequilíbrio na junção subdérmica entre as forças que tentam empurrar para fora e as que tentam conter a forma original.

- Há menos lóbulo de gordura e maior altura em comparação com os homens.

A diferença está mais na gordura superficial do que na profunda.

Ele conseguiu comparar nesta foto a diferença da gordura entre os sexos com as amostras obtidas. Em azul destacou o compartimento de gordura superficial e em vermelho o profundo. Quanto maior o IMC, maior o lóbulo de gordura na camada superficial. Não aumentam a largura dos lóbulos, o número e a estrura nas camadas profundas.

Homens obesos são menos propensos à celulite que mulheres obesas devido aumento da estabilidade e da força interior fornecida pelas conexões septais mais altas. Quanto maior a idade maior e mais significativa é a redução na espessura da derme (não depende do sexo e nem do IMC : 0,3% ao ano) levando a menos suporte.

Concluindo portanto que a interação suporte dérmico, morfologia septal e arquitetura de gordura subjacente contribui para as propriedades biomecânicas da junção subepidérmica. Isso é influenciado pelo sexo, idade e índice de massa corporal. Celulite pode ser entendida como um desequilíbrio entre forças de contenção e extrusão na junção subepidérmica, mulheres idosas com maior índice de massa corporal tem maior risco de desenvolver (ou piorar) a celulite.

O mais importante neste estudo, ao meu entender, foi a ligação clara que no o tratamento de celulite com bioestimuladores o ideal é depositar o produto na subderme e este difundir-se-á na gordura superficial e profunda melhorando o aspecto de colchão, trabalhando assim a gordura superficial e os septos fibrosos (como demonstra a figura a seguir), tentando portanto, uma arquitetura mais próxima ao excelente presente divino que é a loja de gordura superficial masculina.